sábado, 10 de novembro de 2012

ELEIÇÕES NA REGIÃO METROPOLITANA DA NATAL: SÃO GONÇALO DO AMARANTE : TUDO EM PAZ NA TERRA DO "TÁ TUDO DOMINADO"



São Gonçalo é um município que recebe a influência direta do desenvolvimento de Natal, já que suas fronteiras estão basicamente integradas à Zona Norte da capital, levando à uma certa urbanização aos distritos mais próximos de Natal. E a construção do aeroporto de São Gonçalo tem trazido muita especulação a respeito dos impactos que serão gerados na região, que certamente mudarão o ambiente econômico e social do município. Com 90.376 habitantes (IBGE, 2012), distribuídos em 251,30 km², esta a apenas 11 km de Natal.

Alexandre Cavalcante e o seu irmão Poti Júnior[1], ambos do PMDB e o segundo com mandato de deputado estadual, são as grandes lideranças locais e em 2011 uma aproximação entre esse grupo e o grupo de Jaime Calado(PR), atual prefeito e tradicional adversário político, parecia improvável. Parecia. 

Só para rememorizar : Poti Júnior apoiou a candidatura de Iberê em 2010, não porque o mesmo era do PSB, mas pelos apoios recebidos anteriormente por Poti de Iberê. Bem o PMDB estava, naquele momento, apoiando Rosalba Ciarlini do DEM, depois do “acórdão” entre PMDB e DEM para bloquear as pretensões de Wilma em ter como sucessor seu vice.

Em 2008 No melhor estilo “chefão”, Poti rompera com o então prefeito Jarbas Cavalcante, seu sobrinho e membro do PMDB, porque este , não aceitara a aliança que Poti costurou com Wilma e, naquela ocasião o “liderado” recebeu um golpe fatal : Jaime, apoiado por Poti, foi eleito prefeito.

Jaime Calado (PR)
Jaime Calado, irmão de Fernando Lucena (PT) e do falecido deputado estadual Ruy Pereira, sempre fora opositor de Poty Júnior, sendo aliado de Agripino e do PFL. Perdeu as eleições de 2004 por pouca mais de 180 votos, mas em 2008 voltou a se candidatar e, dessa vez, apesar das disputas entre PMDB e DEM, recebeu o apoio de Poti Júnior, além de aliar-se com João Maia e entrar para o PR.

A “contrapartida” para o “acordão” local foi a indicação do vice, Poti Neto, jovem mancebo filho do jornalista Paulo Tarcísio Cavalcante, é sobrinho de Poti, e pelas garantias de apoio de Jaime à reeleição de Poti Júnior 2014. Tudo isso com a benção de Henrique Alves e João Mais que, aliás, foram os verdadeiros promotores desse “acordão”. E qual foi a desculpa dos dois líderes para fazerem esse acordo? Para “acabar com o radicalismo e pelo desenvolvimento de São Gonçalo do Amarante” e, por isso, deveriam “esquecer o passado”. Hilário.

A “grande aliança”, ao unir os dois principais chefes dos clãs locais, definiu antecipadamente o processo eleitoral, visto que as chances de qualquer movimento de oposição foram sepultadas por esse pacto , que envolveu os Alves, os Maia, os Rosado, Wilma, João Maia, Ricardo Mota (dono do PMN) e envolveu até o PT, PCdoB e o PPL (ex-MR8). 

Quem ousou enfrentar esse verdadeiro “trator partidário”, foi a professora Mara Tereza de Oliveira,do minúsculo PSDC, que durante a gestão de Poti Júnior foi secretária de educação. Obteve 27,94% dos votos, e pode considerar essa votação um verdadeiro feito, já que o horizonte era de uma vitória esmagadora de Jaime.

Ana Maria, irmã de Poti Júnior e mãe do escanteado ex-prefeito Jarbas Cavalcante, e ativa participante das gestões anteriores, certamente amuada com o comportamento do mesmo, lançou-se como uma “alternativa”, pelo PSC. Recebeu amargos 5,82% dos votos.

O ex-prefeito José Targino (1989-1992)[2], que fora aliado de Jaime Calado e depois que rompeu com ele foi para o inexpressivo PHS de Keops Lima, viu seu filho José Sergiano Targino, vice-prefeito, ser preterido no processo de sucessão,  e ele mesmo, agora no minúsculo PRP amealhou meros 4,32% dos votos.

Bem, esse rolo compressor da “união sagrada” elegeu TODOS os 17 vereadores, sendo que o grupo de Poty elegeu 3 vereadores, o PDT elegeu 3; o grupo de João Maia 3; o PSB,2; o PMN de Ricardo Mota,2; o PDT,2 e o PT e PP, elegeram 1 cada.


[1] Iniciou sua carreira elegendo-se vereador pelo PL e foi prefeito de 1997 a 2004, terminando o mandato pelo PMDB. Desde 2008 é deputado estadual pelo PMDB.
[2] José Targino era vice-prefeito de Eliane de Barros, numa aliança entre o seu partido, o PDT, e o PFL (hoje DEM). Eliane faleceu num acidente automobilístico e José Targino assumiu a prefeitura.

Um comentário:

  1. Uma verdadeira dança das cadeiras, como é de costume no meio político!

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