sexta-feira, 17 de maio de 2013

A SAGA DO REAJUSTE DA PASSAGEM DO TRANSPORTE COLETIVO EM NATAL: A PELEJA DO DIABO COM O DONO DO CÉU?


E o “pau cantou”! Foi assim que terminou mais uma manifestação contra a autorização dada pelo governo municipal de reajustar em 9,1% as passagens do transporte (sic) coletivo em Natal, realizada na quarta-feira (15). 
"#Revolta do Busão" : pressão nas ruas
    Até as pedras sabiam que tudo encaminhava para isso. O SETURN, poder paralelo que tem forte influencia sobre a SEMOB, já conseguira da justiça federal a proibição de que a manifestação chegasse à BR-101. 

     PSOL e PSTU bradavam seus discursos ferozes sobre a “ladroagem” da prefeitura e da “aliança espúria” da SEMOB com o SETURN, envenenaram o já envenenado ambiente e o seu pequeno exército de “fiéis da revolução”, foram mobilizados para darem uma “incrementada” na manifestação. 
     Não cabe nem falar sobre a posição da nobre e ineficiente Polícia Militar, conhecida por sua truculência e incompetência, ou seja, nada de novo nesse cenário por demais conhecido de usuários e da população em geral.  
    Por outro lado, o movimento “#Revolta do Busão”, que tem como marca o “apartidarismo” e uma preocupação em “(...) mobilizar uma frente única onde movimentos sociais e demais agitadores - não importando seu credo, sua bandeira ou filiação - podem agir em uma só causa: A REVOLTA DO BUSÃO”[1], e que já adquirira força nas manifestações anteriores, buscava se posicionar como o principal protagonista do processo, o que gerou uma série de consequências, entre elas a sua "satanização" na mídia conservadores e nas redes sociais.
Obviamente que, diante da leniência do governo municipal, apressado em decretar o aumento, mesmo diante das críticas contundentes de seus aliados, tais como George Câmara (PCdoB), que defendia uma necessária articulação entre o processo licitatório, que se arrasta a mais de três anos, e o reajuste tarifário, e uma Câmara Municipal que assistiu ao processo sem atrever-se a ser protagonista, provocou o acirramento do debate. Carlos Eduardo praticamente jogou gasolina no fogo.
Ainda ontem (16), uma nova manifestação, dessa vez organizada pelo Movimento Estudantil, chegou às portas da Prefeitura e marcou posição exigindo não apenas a revogação do reajuste, mas a licitação, prometida na segunda gestão de Carlos Eduardo, e não feita, engavetada por Micarla e que agora ressurge timidamente nos discursos ouvidos na Câmara.
E ontem a Câmara Municipal de Natal, como sempre atrasada, aprovou um requerimento que pede ao prefeito a revogação do reajuste[2]. Foram 20 votos a favor, inclusive de muitos que apoiavam o governo anterior e uma solitária abstenção, a do líder do governo, Júlio Protásio (PSB). E dai? E dai nada, já que dificilmente Carlos Eduardo vai voltar atrás no reajuste. Perdeu uma boa oportunidade de debater essa milacria que maltrata os cidadãos natalenses. De qualquer forma a pressão das ruas já fez com que o prefeito reunisse 18 vereadores num almoço hoje (17) e prometesse o início do processo licitatório em quinze dias.
 
O problema do sistema de transporte coletivo em Natal é tão velho quanto as histórias da carochinha e há uma repetição histórica dessa situação. A luta entre o poderoso e inabalável SETURN e os vários prefeitos que foram gestores dessa bela cidade, prova que há uma hegemonia dessa entidade, no processo de organização e reprodução do sistema de transporte coletivo natalaense.

A resolução desse problema não será por obra e graça do divinio espírito santo ou de algum bom prefeito, já que ele nunca terá a força política necessária para enfrentar o SETURN e os seus aliados dentro da Prefeitura. A resolução, se houver, começará pela sociedade civil organizada e por um movimento forte e com credibilidade diante da população.
Se não for assim transformaremos essas justas manifestações em algo sazonal, que servirá para que a mídia consagre os manifestantes como baderneiros e o aparato de repressão como os "agredidos" . Será a peleja do Diabo com o Dono do Céu.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

AUMENTO DA PASSAGEM DE ÔNIBUS EM NATAL : PÉSSIMOS SERVIÇOS E NOVA TARIFA.



A autorização do reajuste das passagens dos transportes coletivos (sic) de Natal, foi dada pelo Conselho Municipal de Transporte e Mobilidade Urbana (CMTMU), órgão colegiado ligado à Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana. 

Augusto Maranhão : Cadê o aumento?
O reajuste autorizado foi de 9,1%, bem abaixo dos 18,2% pretendidos pelos donos das empresas, mas bem acima do que pretendia a população, que era ZERO. A decisão foi tomada nesta quinta e reflete a queda de braço entre os trabalhadores e os empresários, já que os primeiros querem reajuste salarial de 15,0%, o que assombra o líder dos empresários, o afobado Augusto Maranhão.

De imediato, setores do movimento estudantil entraram em polvorosa devido ao voto do seu representante, Gleidson Batalha, que foi favorável ao reajuste, e já emitiram nesta sexta uma nota de repúdio ao seu representante, além de se posicionar de forma veemente contra o dito aumento[1]. Os líderes estudantis prometem tirar o couro de Gleidson para fazer tamborim, o que seria algo muito doido para o representante que agora está ameaçado de sofrer a chata campanha do "ele não me representa".

Obviamente que as pessoas até podem entender que, mesmo sendo uma concessão pública, as empresas que operam o sistema são privadas, ou seja, buscam lucro. Ocorre que o escândalo começa quando as planilhas que são discutidas entre os empresários, o setor público e o movimento social, são feitas sob o controle do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros do Municipio de Natal (SETURN), o sindicato que representa os empresários do setor[2]. Só um quadrúpede aceitaria esse fato como normal. Mas parece que os quadrúpedes infestam a burocracia municipal.

Transporte coletivo em Natal : em troca de péssimos serviços um reajuste.
Aumentar as passagens de ônibus quando o sistema de transporte é uma tragédia, com péssimo serviço e com uma frota que, cá entre nós, faz vergonha, é simplesmente olhar para o usuário e chama-lo de imbecil, já que é muito provável que o sistema mantenha-se nos atuais patamares de mediocridade.

Carlos Eduardo : e agora?
O prefeito Carlos Eduardo agora tem um abacaxi nas mãos e nos próximos dias veremos como ele vai descascar. Autorizar o reajuste, mesmo não sendo o pretendido pelos empresários, é manter a mesma prática de submeter-se a lógica de “montagem” do preço do transporte coletivo público pelo setor privado, e isso enfurecerá parte da população que não vê nada positivo com uma nova tarifa. Não autorizar o reajuste é comprar uma briga com o poderoso SETURN e ir, inclusive, contra a decisão do Conselho, o que pode dar motivo para um “lokout branco” dos empresários, empurrando a população contra a prefeitura.

Os próximos dias serão decisivos para esse embate que promete.



[1] Assinaram a nota a União Nacional dos Estudantes (UNE), o Diretório Central dos Estudantes da UFRN (DCE-UFRN), o Diretório Central dos Estudantes da UNP (DCE-UNP), o Diretório Central dos Estudantes da Faculdade  Maurício de Nassau, a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), a Associação Potiguar de Estudantes Secundaristas (APES) e a União Metropolitana de Estudantes Secundaristas (UMES).
[2] http://www.cartapotiguar.com.br/2013/05/10/pelo-retomada-do-direito-de-regular-o-aumento-da-passagem-ja/
Por Wellington Duarte. Tecnologia do Blogger.

Tema Original do WordPress. Adaptado por Lissiany Oliveira.