domingo, 17 de março de 2013

O CONCLAVE DOS CLÃS E A AFASIA POLÍTICA DO RN



Estamos no TRICENTÉSIMO TERCEIRO MÊS do (des)governo da aliança DEM-PMDB-PR e as coisas andam de mal a pior. Menos para os clãs é claro, já que as burras[1] do estado estão muito bem obrigado e cujo sistema mantém-se firme e seguro.
Num estado cada vez mais pobre, a alegria dos clãs é a mesma.
Os hospitais estaduais acumulam dívidas que são vergonhosas[2] e que mostram claramente a “preocupação” dos clãs com a saúde da população, a não ser em época de eleição, quando saem como vampiros em busca do seu sangue vital, o voto. Nas cadeias os presos literalmente apodrecem e o governo simplesmente ignora as decisões judiciais. A seca assola o interior e o governo se mostra tão rápido e objetivo nas ações quanto Pedro Velho e os seus chefetes no final do século XIX.
Os fricotes entre os membros do governo continuam e a reunião do chamado “conselho político”[3], um conclave de conchavos e futricas, realizada neste sábado, parece ter sido tão útil para a população quanto assistir um jogo da dama pela televisão. Aliás, a tal reunião serviu para que os beicinhos dos aliados se tornassem públicos, mais uma vez, num jogo de cena patético.
Walter Alves e o conclave : vou não!
O deputado estadual Walter Alves (PMDB), um dos quatro deputados do PMDB a ter assento na Assembleia Legislativa[4], local aprazível em que encostam ex-prefeitos e chefetes dos pequenos clãs e que vivem trocando amabilidades em discursos monocórdicos, que foram convidados pela governadora Rosalba Ciarlini, fez o papel de amuado e disse que não participaria da reunião.

Kelps : amuado e querendo secretaria
No grande teatro da hipocrisia, o outro deputado, o Kelps Lima (PR)[5] que chegou a ser cogitado que iria para o PT, e que deu algumas declarações aburradas sobre os “compromissos” do governo estadual, quer por que quer a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, a menina dos olhos de Henrique Alves, que a utilizará para construir seu discurso para 2014.
Carlos Augusto Rosado, o “big boss” do clã Rosado, e que hoje tem mais força do que José Agripino, não tem muita simpatia em dar mais espaço a Garibaldi Alves e Henrique Alves, aliados de Dilma Roussef no plano nacional a quem deverão apoiar e prontos a abocanhar o governo do RN em 2014.
Com o domínio absoluto da política do RN, os clãs se digladiam internamente sob o olhar atônito de uma esquerda que tem se mostrado incompetente politicamente em romper com esse sistema semi-feudal, e que ficam a espera das “grandes decisões”, para traçarem suas táticas. O reboquismo fortalece o sistema e os clãs, alheio ao que acontece abaixo do seu Olimpo, se refestelam com os espaços obtidos na administração pública e no poder, mantém o firme controle político da pequena capitania.


[1] Arca ou cofre que servem para guardar objetos de valor e dinheiro.
[3] Deverão participar a governadora Rosalba Ciarlini (DEM); o chefe do gabinete civil, Carlos Augusto Rosado (DEM); o presidente da Assembleia Lagislativa, Ricardo Motta (PMN); Henrique e Garibaldi Alves. O comparecimento de João Maia e dos quatro deputados do PMDB não foi confirmado.
[4] Ou outros são Hermano Morais, Gustavo Fernandes e Nélter Queiróz.
[5] Para quem não lembra, Kélps Lima foi secretário de Mobilidade Urbana, apoiador firme de Micarla de Sousa, já passou pelo PPS de Wober Júnior, e só saiu do governo micalista, em abril de 2010, para se candidatar a deputado estadual sob a asa de João Maia.

quinta-feira, 14 de março de 2013

OS CLÃS DO RN E A "BANDA VOOU"



Há uma frase que bem representa o panorama político e administrativo do RN: a banda voou. Na verdade, diante do chiste com que vem se caracterizando o (des) governo da aliança DEM-PMDB-PR, comandado pelo chefe do clã Rosado, Carlos Augusto, e gerenciado por Rosalba Ciarlini, falar em “gestão” seria atentar contra a inteligência dos mais atentos. A afasia produz caricaturas de discursos pelos gestores e seus aliados.
A seca vem assolando o estado, mas seca é algo normal dentro da zona climática local e não deveria assombrar os clãs que vampirizam o estado há décadas. O que há de novo nessa seca? Nada! A novidade é que, na atual gestão, a forma de como os clãs governam ficou escancarada.
Os clãs decidindo nada sobre coisa alguma
Nas últimas semanas vimos o teatro dos clãs. Seus chefes Agripino, Garibaldi, Henrique, Carlos Augusto, Rosalba e João Maia ajustaram suas “divergências”, como, aliás, vem fazendo desde 1978, quando montaram a “paz pública”. O roteiro é o mesmo. Um clã no poder, aliado a outro clã. Perto das eleições os chefetes de um dos clãs começam a “reclamar” e ensaiam rupturas. É o caso do deputado estadual Kéops que deu entrevistas reclamando do governo e agora é dito que poderá assumir uma secretaria. Nada de novo.
O caso da seca é emblemático. Até manifestações estão sendo organizadas pelo interior como “grito pelas águas”, coisa que o sertanejo faz desde quando as primeiras cabeças de gado pisaram o semiárido local. O que se pede? As mesmas coisas que se pediam no início do século XX. O que os clãs dirigentes dizem? As mesmas coisas que os Albuquerque Maranhão e os clãs do algodão diziam. Outro fato emblemático. Em plena seca, a Secretaria de Agricultura tá sem titular há cinco meses e o governo faz de conta que está tudo tranquilo. Descaso ou omissão? Provavelmente os dois juntos.
O caos instalado no sistema carcerário, a crise dos hospitais, as interdições parciais do Centro Educacional do Pitimbu e do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciad),[1]são uma amostra do “modo DEM” de governar. Obviamente, os comissionados vem e virão a público para dizer que o estado está “tomando as providências necessárias”.
Aliás, como sempre, veremos os deputados da base falarem em “potencialidades”, “desafios” e outros verbetes mais, como forma de produzir uma sensação de que estão preocupados com a situação de milhares de potiguares que vivem sob o tacão dos clãs e castigados pela seca.
A sociedade potiguar está vivenciando um festival de aberrações que deveriam servir para que começasse um amplo movimento cívico para expulsar politicamente estes clãs e arejar a nossa tão sofrida política.




[1] http://jornaldehoje.com.br/estamos-em-estado-de-falencia-total-do-sistema-socioeducativo-diz-juiz-da-infancia-e-juventude/
Por Wellington Duarte. Tecnologia do Blogger.

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